Impossível pensar na propaganda brasileira sem nos lembrarmos de Carlos Moreno e os sempre divertidos comerciais do Bombril. O anúncio abaixo do amoníaco Fort foi publicado há 30 anos atrás, em 1982:
Quem quer um FIAT Puto ?
A propaganda é um segmento que gira rápido. Um anúncio publicitário de hoje amanhã pode não mais funcionar e um de ontem pode já ser peça de museu. E se é peça de museu da publicidade, o lugar da campanha é aqui no Baú da Propaganda.
Seguindo na timeline do Twitter o colega Jean Boechat, vi uma publicação dele no Instagram sobre um anúncio da FIAT veiculado no jornal O Estado de S.Paulo de ontem. Como tenho acesso ao jornal eletrônico não demorou para baixar o PDF.
Esta falha, de digitação provavelmente, não poderia ter passado. Não consigo crer que uma agência deste porte (Leo Burnett Tailor Made) não faça uma revisão antes de enviar o material para publicação. Bem, se estiverem precisando de um revisor, podem me contratar pois estou precisando de um emprego.
Com vocês, o Fiat PUTO:
Raul, ninguém esquece um campeão
Uma homenagem ao campeão que se despede. Foi assim em 1984 que a Atlantic, empresa de combustíveis e lubrificantes hoje extinta, homenageou o então goleiro Raul Plassmann quando este encerrou a carreira.
A propaganda do óleo F1 Super especial para o então atleta do Flamengo, foi publicada nas mais variadas publicações brasileiras daquele ano, como a reproduzida abaixo, com o ex-jogador de vôlei Bernard, na extinta revista Manchete.
Uma bela homenagem, não é mesmo ?
Caravan Esporte Clube
Houve um tempo em que os carros eram produtos de um design muito mais criativo do que nos dias atuais. Se hoje a aerodinâmica evoluiu muito, a impressão a cada dia que passa é que os automóveis estão cada vez mais parecidos um com o outro e sem graça. Isso sem falar na ditadura das cores preto e cinza.
Veja as peruas de hoje, por exemplo, todas muito iguais. Agora volte no tempo para 1979, data do anúncio abaixo, e lembre-se das peruas populares da época como eram diferentes entre si: Caravan, Variant 2, Brasília e Belina. E as cores ? Os automóveis tinham tantas cores que os catálogos de tinta eram bem mais variados.
E o que dizer desta belíssima Caravan SS 1979 ? Marcou época…
Quais as peruas Chevrolet de hoje ? Ahn, Uhn… não lembro!
Pílulas Electro-Magnéticas!
De todos os anúncios antigos que já encontrei e cataloguei, este aqui é de longe um dos mais bizarros. Trata-se de um anúncio de umas pílulas “electro-magnéticas”, desenvolvidas por Milton & Co, indicada para magnetizadores (?) e hipnotizadores em geral.
Caso você não seja desses tipos que saem hipnotizando pessoas por ai, estas pílulas também servem para curar o esgotamento nervoso por excesso de trabalho intelectual (stress ?) ou por excesso de prazer sexual. Além disso, restaura (sabe-se lá como) o poder genital e cura histeria.
Se não for suficiente, veja o anúncio abaixo e veja se algum outro sintoma bate com o que você está sentindo (ou sofrendo):
Maravilha da Toilette!
O anúncio do produto, de 1922, era tão esclarecedor que até dispensa maiores explicações aqui no texto. Afinal, é “de resultado verdadeiramente maravilhoso”.

Contra fatos não há argumentos!
É o que dizia a curiosa propaganda do Luetyl, que aparentemente não era apenas um medicamento. Afinal, ele era atestado por “milhares de enfermos curados” e “centenas de médicos”. Só não sei como um medicamente tão bom assim deixou de ser fabricado… mundo cruel este, não ?
Clique no anúncio para ampliar a imagem e leiam os depoimentos dos supostos curados:
Kodak Instamatic 25
As pessoas hoje possuem um comodidade tão grande no seu dia a dia que fica dificil, especialmente aos mais jovens, entender alguns equipamentos de um passado recente.
O controle remoto, por exemplo, é algo tão ridiculamente comum hoje e incorporado ao cotidiano de nossas salas de estar, que o simples ato de levantar para mudar de canais no seletor do televisor parece algo de séculos atrás.
Tirar fotografia ou filmar então, nem se fala. Hoje, especialmente com o advento dos smartphones e seus aplicativos é algo simples, rápido e intuitivo. Mas como era para o jovem de 1970 fazer as mesmas coisas (fotografar, filmar e gravar áudio) ?
Bem, naquela época se ele gostasse da marca Kodak poderia optar pelo “discreto” conjunto Instamatic 25:
Notem que a publicidade, mesmo sem dizer uma palavra a respeito, foca na dimensão compacta da câmera. São deixadas algumas moedas ao lado da câmera e do cartucho fotográfico. Só o cartucho hoje é até maior que alguns telefones celulares que encontramos por ai. Imagina a mala para carregar todos os itens do conjunto ?
Em pouco mais de 4 décadas muita coisa mudou, não é mesmo ? Até a Kodak está tornando-se coisa de museu hoje em dia…
O bisavô do contra-vale!
Quem é que não fica irritado quando vai pagar sua conta na padaria ou em um restaurante e o caixa informa que não tem todo o troco e pergunta se você “aceita contra-vale”? Esta prática, irritante, muitas vezes também vem na forma das famigeradas balinhas de troco.
Porém, engana-se quem pensa que a falta de troco trata-se de um fenômeno recente, dos tempos modernos. Isto é algo que aflige os brasileiros, pelo menos, desde meados do século 19.
Naquela época não havia a opção de se pagar com cartões ou cheque e se não havia troco para o cliente, também não era comum devolvê-lo com balinhas. Até porque muitas vezes o dinheiro que se faltava não eram míseros tostões, mas sim boas quantidades de réis.
Para evitar de perder o cliente que não queria ir embora sem o seu troco, qual era a solução do comércio ? Simples, emitiam seu próprio dinheiro:

Cédula particular de 200 Reis do início do século 20.
Estas cédulas particulares eram produzidas nas tipografias brasileiras e, numeradas, eram oferecidas como troco quando faltava-se o dinheiro oficial. Com valores variados, eram bem aceitas pela população e só podiam ser trocadas nos próprios estabelecimentos emissores. Qualquer pessoa portando a cédula podia trocá-la. A grande maioria destas notas eram bastante rudimentares, mas algumas eram produzidas tão caprichadas que até pareciam com algumas cédulas oficiais.
Esta prática, que foi bastante comum em cidades mais afastadas dos grandes centros onde o troco era mais escasso, continuou em prática até quase na metade do século 20, quando a atividade foi desaparecendo gradativamente. Hoje estas cédulas particulares são bastante raras de encontrar e são disputadas por colecionadores.
É, sem dúvida, o bisavô do contra-vale.
Abaixo você confere uma pequena coleção destas cédulas particulares:















